2 de mai de 2014

O Significado de Lilith (Parte I de II)



Recebi uma pergunta sobre esse interessante tema:

Pergunta: “José, você sabe alguma coisa sobre Lilith? O que achei, muito por cima, é que ela foi a primeira mulher antes de Eva, mas que não aceitou ser submissa a Adão e, imagino que por isso, foi considerada como algo ruim, um demônio ou uma Deusa de coisas ruins. Você tem algum conhecimento sobre esse assunto?” (Carla)

Lilith está presente na mitologia hebraica, sendo por vezes interpretada como a serpente que tentou Eva a comer o fruto proibido e por outras vezes compreendida como a primeira mulher que foi criada junto com Adão e o abandonou por não sujeitar-se a seus caprichos. Sua citação mais antiga está no livro "O Alfabeto de Ben Sirach" ou "Alfabeto Siracida", do mesmo autor do livro bíblico de Eclesiástico, Ben Sirach (filho de Sirach) ou em grego Sirácida, que aparece no livro como um homem que contou ao rei Nabucodonosor 22 histórias, associadas a 22 conhecidos provérbios hebraicos.

Dentre essas histórias, Ben Sirach fala sobre Lilith:

“Logo após o jovem filho do rei ficar doente, falou Nabucodonosor, "Cure meu filho. Se você não fizer, eu o matarei." Ben Sirach imediatamente sentou-se escreveu um amuleto com o Nome Sagrado, e nele inscreveu os anjos encarregados da medicina por seus nomes, formas e imagens, e por seus flancos, mãos, e pés. Nabucodonosor olhou para o amuleto (e perguntou) "O que é isto?" (Ben Sirach respondeu:)   "Os anjos que são encarregados da medicina: Snvi, Snsvi, e Smnglof [Pronuncia-se Sanvi, Sansavi e Semengalef ]. Depois que Deus criou Adão, que estava só, Ele disse, 'não é bom para o homem estar só' (Gen. 2:18). Então Ele criou a mulher para Adão, da terra, assim como Ele havia criado o próprio Adão, e chamou-a Lilith. Adão e Lilith começaram a brigar. Ela disse, 'Eu não vou deitar por baixo,' e ele disse, 'Eu não vou deitar por baixo de você, mas apenas acima. Para você é adequado apenas estar na posição inferior, portanto apenas eu estarei na superior.' Lilith respondeu, 'Nós somos reciprocamente iguais tanto que ambos fomos criados da terra.' Mas eles não ouviam um ao outro. Quando Lilith disse isso, pronunciou o Nome Inefável (YHWH) e voou para longe no ar. Adão ficou em prantos depois (falou a) seu Criador: 'Soberano do universo!' disse ele, 'a mulher que você deu-me foi embora.' De uma vez, o Santo Senhor, bendito seja Ele, enviou estes três anjos para traze-la de volta. "Disse o Santo Senhor para Adão, 'Se ela concordar voltar, (está tudo) bem. Se não ela deve permitir que uma centena de suas crianças morram todos os dias.” Os anjos deixam Deus e seguiram Lilith, a quem eles pegaram no meio do mar, nas poderosas águas nas quais os Egípcios estavam destinados a afogarem-se. Eles falaram-na as palavras de Deus, mas ela não queria retornar. Os anjos disseram, 'Nós iremos afogar você no mar.' "Deixem-me!!' ela disse. 'Eu fui criada apenas para causar doenças às crianças. Se a criança é macho, eu tenho domínio sobre ele por oito dias depois de seu nascimento, e se fêmea, por vinte dias.' "Quando os anjos ouviram as palavras de Lilith eles insistiram que ela voltasse. Mas ela jurou à eles pelo nome do Deus vivo e eterno: 'Sempre que eu ver vocês ou seus nomes ou suas formas em um amuleto, eu não terei poder sobre esta criança.' Ela também concordou ter uma centena de suas crianças mortas todo dia. De acordo (com isto), todo dia uma centena de demônios pereciam, e pela mesma razão, nós escrevemos os nomes dos anjos nos amuletos de jovens crianças. Quando Lilith vê seus nomes, ela lembra-se de seu juramento, e a criança estabelece-se." (Alfabeto de Ben Sirach Questão 5 (23a-b)



Vamos tentar compreender então os simbolismos contidos nesse relato e também sobre o que diz a Gênese, fugindo do lugar comum de tratar Lilith como um demônio ou algo do gênero, compreendendo o significado de Adão, Eva e a serpente:

"E chamou Adam sua mulher Chava, porque foi mãe de todos os seres viventes" (Gn 3:20)

A criação do homem e da mulher (obviamente simbolismos) é descrita no primeiro capítulo da Gênesis:

"E criou Elohim o Adam a sua imagem. Criou-se a imagem de Elohim, macho e fêmeas os criou " (Gn 1:27)

Adam vem de Adamá que quer dizer em hebraico "filho da terra"

Chava quer dizer em hebraico "aquela que dá vida"

Sendo Deus espírito (Deus é espírito e seus adoradores devem adorá-lo em espírito e em verdade - João 4:24) e sendo o espírito o princípio vital inteligente, podemos compreender Adão (Adam) e Eva (Chava) como as polaridades, masculina e feminina, existentes em cada espírito criado por Deus.

Adão e Eva simbolizam, portanto, as duas polaridades do espírito, a inteligência vital. Essa inteligência vital no seu processo evolutivo desenvolve o intelecto, isso é que permite o espírito sair do estágio de animal racional e evoluir para humano racional, ao despertar a razão, a capacidade de exercer o livre arbítrio através do raciocínio. Essa capacidade (intelecto) presente nas duas polaridades do espírito é representada  figurativamente na Gênesis como a serpente. 

No recente post do blog sobre a iniciação de Jesus eu expliquei o significado da serpente, inclusive da passagem na qual Jesus diz que devemos ser simples como as pombas e atentos (astutos) como as serpentes. Esse texto pode ser visto aqui: A iniciação 

Portanto, quando o espírito vivencia sua primeira encarnação no seio da humanidade e começa a utilizar seu livre arbítrio, ele passa a "ouvir" o seu intelecto, questionando sua essência divina e exercendo escolhas, que no início, devido a sua inexperiência, são normalmente contrárias à sua essência divina, fazendo com que ele necessite de inúmeras reencarnações (nascer, morrer, nascer de novo) até que alinhe seu livre arbítrio com a essência divina, o sopro da vida que o sustenta e o impulsiona para a evolução moral e intelectual, sem, entretanto se sobrepor ao livre arbítrio, por isso a jornada evolutiva tão longa e gradual. A Gênesis mostra essa jornada de forma alegórica:

"E Elohim trouxe sono sobre Adam (o filho da terra) que adormeceu. Pegou uma das costelas e no lugar dela encheu de carne, da costela que tirou de Adam criou a mulher (aquela que dá a vida) e trouxe para Adam" (Gn 2:21-22)

Essa passagem é uma alegoria sobre o nascimento físico do espírito na humanidade. Se em Gn 1:27 temos simbolizado o nascimento espiritual, em Gn 2:21-22 temos o nascimento físico. A analogia é simples, ainda que de certa forma perturbadora no sentido de entendermos como que o povo da época sabia de tais conhecimentos:

O corpo humano possui 24 costelas. Se tirarmos uma delas, ficamos com 23. O genoma humano é a sequência completa de DNA de um conjunto de cromossomos, sendo que tanto o pai quanto a mãe transmitem exatamente cada um 23 cromossomos ao filho. Dos 23 pares de cromossomos que cada ser humano possui, apenas um par (alossomo) define o sexo do bebê, sendo que os demais 22 pares não correspondem ao sexo, fazendo parte do patrimônio genético humano. Ou seja, o que a Gênesis está dizendo, de forma figurativa, é que Deus criou o ser humano a partir de 23 costelas, que na realidade representam os 23 pares de cromossomos presentes em cada ser humano.



Tal representação na cultura hebraica e em outras culturas ainda mais antigas, associando o espírito à manifestação física, existe em diversos símbolos cheios de significados, mas que também mostravam um conhecimento superior, literalmente da genética humana, como por exemplo, o símbolo do caduceu semelhante a uma cadeia de DNA ou ainda a Árvore das Vidas (alguém aí lembrou que no começo Adam e Chava estavam no meio de várias árvores?), pois se considerarmos que a identidade da espécie humana contém 22 pares de cromossomos (os pares seriam as duas serpentes se elevando no caduceu?) sendo um 23º par responsável pela característica sexual (as duas asas no topo representando a polaridade dupla do espírito e seu poder de escolha de manifestação dessa polaridade, a manifestação do Ain Soph), podemos associar claramente esses 22 pares aos 22 caminhos da Árvore das Vidas, que somados as 11 esferas da Árvore equivalem as 33 vértebras da coluna vertebral, colocando assim a Árvore das Vidas em uma representação microcósmica como uma "coluna humana" por onde "fluem" em seus 22 caminhos a identidade humana (22 cromossomos) que se manifestam em sua totalidade quando percorrem toda a Árvore para renascer como homem e mulher, manifestando plenamente as duas polaridades do espírito, as duas serpentes do caduceu (interligadas como os pares de cromossomos) que se encontram no topo da Árvore e em Ain Soph, acima da Árvore, manifestam de forma completa o potencial divino no ser humano. 

Da mesma maneira, em uma representação macrocósmica, a Árvore das Vidas representa através de suas 11 esferas as dimensões do Universo, como tem sido estudado recentemente pelos cientistas através da Teoria M.

A manifestação simbólica desse 23º par de cromossomos (que representa as duas asas do caduceu, essas duas asas sobre Ain Soph) acontece dentro da Árvore exatamente através de Daat, a esfera (sephirot) oculta (ou seria o fruto oferecido pela serpente a Adam e Chava que “desapareceu” da Árvore?). Tal esfera representa exatamente o saber, o conhecimento (ah por isso que se chama Árvore do conhecimento do bem e do mal) que está na intercessão de dois dos quatros planos (atziluth e beriyah)

Lilith representa, portanto esse fluxo vital que alguns denominam como kundalini, a energia sexual/vital que permite a manifestação do nascimento humano através da união das manifestações das suas duas polaridades, masculina (Adam) e feminina (Chava), a energia que percorre toda a coluna na forma de uma serpente e que deve estar sob o controle do intelecto e não dos instintos, para que sirva de plena manifestação positiva dos sentimentos.  






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