Apesar de muitas pessoas acreditarem que um debate na reta final da disputa pode decidir uma eleição, na prática isso quase nunca acontece, exceto em eleições muito acirradas, como em 1989 (a primeira após as Diretas Já) ou a atual em 2026. E curiosamente a queda de Lula, em ambas, é explicada pelo mesmo motivo: a imagem em relação às mulheres e sobretudo à esperança na economia. E reparem: não estou falando sobre fatos, estou falando sobre imagem. A imagem ou retrato final daquilo que fica registrado na mente do eleitor ainda indeciso na reta final da campanha (que não é eleitor cativo de um candidato ou de um espectro político).
Na eleição de 1989, por exemplo, Lula chegou ao segundo turno por muito pouco, vencendo uma disputa acirrada com Brizola. Apesar de adversários, ambos eram do mesmo espectro político e se aliaram no segundo turno, sendo que uma semana antes das eleições do segundo turno algumas pesquisas já mostravam Lula a frente de Collor. Exatamente nessa semana final a campanha de Collor levou ao ar um depoimento de sua ex-namorada (mãe da primeira filha de Lula nascida 15 anos antes) fazendo um exposed pesado sobre Lula. O escândalo, somado à edição marota (que anos depois a própria Globo reconheceu) do último debate presidencial, na qual Collor teve um minuto a mais de tempo exibido no JN com os melhores momentos, ao mesmo tempo que os piores momentos de Lula foram selecionados, selou o destino da eleição, vencida por Collor com 6 pontos de vantagem.
Assim como acontece hoje em 2026, a eleição de 1989 foi um embate entre o discurso do medo (trazido por Collor sobre as idéias comunistas de Lula) e o discurso da esperança (trazido por Lula, baseado na idéia de que o grande grupo de esquerda responsável em sua maioria pelas Diretas Já é quem deveria dar continuidade ao processo de abertura democrática). O que decidiu a eleição, como sempre acontece em qualquer eleição, foi a esperança/expectativa em relação à economia e a imagem do candidato em relação às mulheres (que tende a ser o eleitorado mais moderado e o voto decisivo). Naquela eleição de 1989 tanto o exposing trazido por Collor na semana final como a edição da Globo sobre o debate acentuando a imagem de Collor como mais seguro e forte para lidar com a nova fase do país prevaleceu, especialmente como alguém mais capacitado para cuidar da nação, pouco importando se aquilo era verdade ou não, mas foi a imagem clara que foi transmitida para a maioria do eleitorado. Imagem, a questão é a imagem.
O eleitor médio ou indeciso nessa reta final, aquele que deixa pra decidir o voto na última semana, uma minoria de 5% do eleitorado e que dentro desse número em sua maioria vai preferir anular o voto ou sequer ir votar, não é alguém que acompanha em detalhes a campanha. É alguém que vai registrar a IMAGEM dos principais pontos dessa reta final, inclusive dentro de um debate e vai analisar pela linguagem corporal e modo de se expressar qual parece mais forte, mais seguro para conduzir a economia. Ao mesmo tempo, em um cenário de economia desacelerando (alta da inflação, diminuição do poder de compra, aumento de impostos, do déficit público) o discurso ou a IMAGEM que tende a convencer mais o eleitor indeciso é de quem é mais capaz de transformar, mudar, renovar. Nesse ponto, é muito difícil para um homem de 81 anos, cujo partido governou 18 dos últimos 24 anos transmitir essa IMAGEM, pois o retrato final desses 18 anos é exatamente o que é visto na economia nas últimas semanas e meses.
O eleitor indeciso insatisfeito com os rumos da economia e, portanto, mais sintonizado com a idéia de transformação, mudança e renovação, também é um eleitor que está cansado da polarização entre petismo e bolsonarismo que se acentuou nos últimos 7 anos. É um eleitor, sobretudo no espectro feminino (que obviamente não se enquadra nem como petista/esquerda ou bolsonarista/direita) que está cansado da linguagem, da IMAGEM de briga raivosa, de linguagem agressiva.
Para esse tipo de eleitor, uma linguagem mais calma, porém segura, cria uma IMAGEM melhor do que uma linguagem rápida, nervosa ou de confronto. Em um debate onde o que conta é tentar ganhar votos dos indecisos (que pouco acompanham em detalhes a campanha) e onde os dois candidatos na prática não respondem àquilo que é perguntado, o que vai contar no final é quem passou a imagem de mais ponderado, centrado, menos ansioso, menos raivoso, algo que ficou muito claro no embate entre Lula e Flávio no debate na Band.
A imagem de Lula ontem no debate da Band não foi apenas desastrosa por tudo que foi analisado até aqui, mas especialmente porque reforçou a IMAGEM (independente se corresponde à realidade ou não) daquilo que foi trazido por Roberta Luchinger na entrevista à CNN: ela pintou Lula como um homem que deu as costas para uma aliada que era leal, amiga e companheira de trabalho por vários anos do seu filho e que foi "jogada aos leões". Independentemente do que seja verdade ou não, a IMAGEM que fica é de um homem poderoso que deu as costas para uma mulher que foi leal e próxima por anos e que teve coragem de enfrentar esse homem para defender suas duas filhas. Essa IMAGEM que ela pintou antes do debate (sendo verdade ou não) pareceu muito mais verídica no debate para o eleitor indeciso, pois o que viram no debate foi um homem nervoso, agressivo, com uma postura e uma IMAGEM que em boa medida tornava crível aquilo que Roberta havia relatado em entrevista horas antes. Parafraseando a famosa frase do imperador Júlio César: a amiga de "César" não apenas foi corajosa, mas pareceu honesta.
Esse conjunto de fatores torna impossível qualquer esperança de virada para a campanha petista que (felizmente) não entendeu, sobretudo ao escalar Janones como "general" de campanha, de que eleição de rejeição não é vencida por quem manda ou fala mais grosso, mas exatamente o contrário: quem mostra ao eleitor de centro e indeciso uma IMAGEM de maior capacidade de trazer e fazer mudanças de forma mais serena, com uma linguagem e postura corporal firme mas que transmita equilíbrio e tranquilidade, algo que também ficou claro na IMAGEM transmitida pelos principais cabos eleitorais dos candidatos: um Pablo Marçal "paz e amor" nas entrevistas, um Nikolas Ferreira moderado em contraste com Janones guiando o "exército" de Lula. Em resumo: :a imagem construída pela equipe digital de Lula para o eleitor de centro foi um desastre.
Os últimos acontecimentos das campanhas confirmam aquilo que eu já venho falando há meses: Lula não será reeleito. Quem quiser conferir as previsões sobre o resultado do primeiro turno (prevendo que Flávio chegaria na frente) e sobre a mudança de ideologia da população (feita várias semanas antes do primeiro turno), leia no link a seguir junto com as previsões trazidas nos últimos anos.
O rei perdendo seu trono - a inevitável queda de Lula - previsão sobre o primeiro turno trazida ao final de setembro:
https://profeciasoapiceem2036.blogspot.com/2026/09/brasil-o-rei-perdendo-seu-trono.html
2014-2026: uma jornada de impressionantes previsões cumpridas:
https://profeciasoapiceem2036.blogspot.com/2026/09/uma-jornada-ao-futuro-revisitando-o.html

