11 de jan. de 2020

O Xadrez Geopolítico Explosivo do Oriente Médio




Vamos entender os fatores determinantes que estão motivando o recente conflito no Oriente Médio

Há um universo de 1 bilhão e meio de pessoas no mundo islâmico

Sunitas representam a maioria do mundo islâmico, entorno de 80%

Xiitas, o segundo maior grupo, entorno de 20%

Irã e Iraque são os dois países com maioria xiita.

Irã - 95% xiita

Iraque - 65% xiitas

Xiitas e curdos foram perseguidos pelo regime de Sadam Hussein (que era um ditador sunita em um país de maioria xiita)

Curdos - totalizam 30 milhões (14 milhões na Turquia e o restante dos 16 milhões espalhados pela Síria, Irã e Iraque)

Temos ainda os wahabitas ou salafistas que são um ramo radicalizado fundamentalista dentro dos sunitas que corresponde a 30 milhões de muçulmanos e a 25% da população da Arábia Saudita. Sua ideologia radicalizada tem como alvos principais os EUA e Israel. Dentro desse ramo radicalizado estão grupos como a Al Qaeda e o Estado Islâmico, este último contando com o seu efetivo na Síria e no Iraque.

É importante compreender esse ponto, pois Al Qaeda e Estado Islâmico (ISIS) chegaram a trabalhar de forma cooperada e depois se separaram devido a divergências, em especial do objetivo principal do Estado Islâmico em formar um território autônomo e posteriormente entraram em rota de colisão, muito devido ao apoio do Irã e da Rússia ao regime sírio.

O regime dos aiatolás através da guarda revolucionária iraniana começou a financiar nos últimos dois anos a Al Qaeda para que retirassem o ISIS do Iraque (devido a maioria da população iraquiana ser xiita) ao mesmo tempo que a Rússia (aliada do regime de Assad na Síria) pavimentou o acordo de ajuda mútua entre o regime de Assad com os curdos para que expulsassem o Estado Islâmico da Síria, em troca de um apoio formal de Assad (e da Rússia obviamente) a criação de um estado curdo dentro da Turquia (que tem atacado duramente os curdos dentro da fronteira do território turco com a Síria)

Em algumas regiões do Iraque, Síria e Turquia os curdos reivindicam territórios autônomos (o que já conseguiram em uma região do Iraque conhecida como Curdistão Iraquiano) e exatamente por isso o ditador turco Erdogan luta ferozmente para eliminar os curdos da Turquia.

O regime de Assad (Síria), Irã e Rússia se uniram na luta contra o Estado Islâmico por conta de objetivos muito mais amplos no Oriente Médio. Para os iranianos interessa fortalecer um governo xiita no Iraque e pra isso sabem que é fundamental a ajuda dos curdos dentro do Iraque para evitar que o Estado Islâmico se reorganize.

A Rússia por sua vez quer aumentar sua esfera de atuação no Oriente Médio e pra isso busca um acordo com Erdogan para estabelecer um território curdo dentro da fronteira da Turquia com a Síria em troca de um acordo mútuo de paz entre curdos, turcos e sírios. Putin comercializou recentemente com Erdogan um moderníssimo sistema de defesa antiaérea e uma grande rede de gasoduto, ao mesmo tempo que Erdogan sabe que não é uma boa idéia ficar contra os russos e iranianos.

Diante de todo esse movimento na região está a Arábia Saudita que nos últimos anos deixou de financiar o Estado Islâmico e constitui a maior esperança americana (e de Israel) para evitar que um confronto exploda (literalmente na região). A Arábia Saudita sempre contou com a hegemonia política do mundo islâmico no Oriente Médio enquanto Sadam Hussein (sunita) controlava o Iraque. Com a morte do ditador iraquiano, os xiitas (que sempre foram maioria no Iraque) estabeleceram governo e uma natural aproximação com o Irã aconteceu (e vem acontecendo). Para complicar um pouco mais as coisas o Irã e sua guarda revolucionária começaram a apoiar nos últimos anos grupos políticos (e armados) contrários aos sauditas, especialmente os Houthi no Iêmen e o Hezzbolah no Líbano.

Se olharmos o mapa da região abaixo veremos que a Arábia Saudita assim como Israel estão isolados. Tanto Putin como os aiatolás iranianos viram no surgimento do Estado Islâmico uma enorme oportunidade para tomarem conta do Oriente Médio e conseguiram aproveitar essa oportunidade. Mas não há nada que esteja ruim que não possa ficar pior ainda (para a paz na região).


A Arábia Saudita resolveu vender parte da sua estatal petrolífera, a Saudi Aramco na maior oferta pública inicial (IPO) de ações da história levantando 26 bilhões de dólares vendendo entorno de 2% do capital da empresa avaliada em 1 trilhão e 700 bilhões de dólares. Em 11 de dezembro do ano passado após o IPO as ações subiram 10% e adivinhem quem foi o maior comprador das ações: China. O Silk Road Fund (Fundo da Rota da Seda) que conta com 50 bilhões de dólares e deseja fomentar a construção completa da nova rota da seda comprou maciçamente as ações da petrolífera com o objetivo claro de aumentar a influência chinesa no Oriente Médio, uma negociação tão forte entre as duas nações que os sauditas se recusaram a fazer a oferta na bolsa americana e japonesa.

Os Estados Unidos então se depararam com o seguinte cenário ao final de 2019 no Oriente Médio: Israel isolado (como sempre), Arábia Saudita que antes equilibrava forças na região com o Irã agora igualmente isolado tendo que iniciar uma aliança financeira com a China (interessada na região para instalar sua nova rota da seda) e o resto do Oriente Médio aliado com os russos. Vendo esse cenário desfavorável na região os americanos decidiram tomar a atitude que tomaram: matar o principal líder da guarda revolucionária iraniana, pois sabiam que isso desencadearia a fúria do regime dos aiatolás contra seus adversários na região, especialmente a Arábia Saudita (há poucos meses os iranianos foram acusados de atacar e danificar algumas instalações da Aramco).

O objetivo dos americanos foi criar no resto do mundo uma expectativa real de novos ataques e confrontos entre iranianos e sauditas na região com o claro objetivo de desvalorizar o valor da empresa petrolífera saudita (enfraquecendo o poderio dos sauditas na sua recém embrionária aliança com os chineses) ao mesmo tempo fomentar uma dura resposta do regime iraniano (atacar bases americanas no Iraque e publicamente anunciar que vai enriquecer urânio sem limites) permitindo que os EUA tenham um argumento para mobilizar forças na região que em última instância tem um objetivo claro: impedir que Putin e China pacifiquem as divergência entre seus aliados.

Putin deseja unir turcos, curdos e o regime de Assad em um grande acordo de paz que envolva os xiitas do Irã e Iraque o que permitiria o ambiente ideal para o comércio de gás na região para a Europa (tanto pelo gasoduto recém inaugurado em parceria com os turcos , o Turk Stream, como pelo outro gasoduto que está sendo construído para aumentar a venda de gás para a Alemanha, o Nord Stream, que inclusive tem sido alvo de sanções do governo Trump sobre os participantes do empreendimento.

Turk Stream inaugurado recentemente por Putin e Erdogan:



Gasoduto Nord Stream (que envolve Alemanha e Rússia) em construção - sanções de Trump:


Já os chineses desejam construir a nova rota da Seda que passa por Teerã e pra isso precisam conseguir pacificar os conflitos entre sauditas e iranianos, sobretudo os impulsos do jovem sheik saudita que deseja abrir guerra com os iranianos. Pra isso chineses e russos entrariam em um grande acordão pacificando as diversas tretas dentro do mundo islâmico, permitindo assim que os chineses criem a maior rota comercial do planeta e os russos a maior rede de gasodutos para fornecimento da Europa enfraquecendo fortemente o comércio americano de gás com os europeus. China e Rússia pretendem dominar dessa forma o Oriente Médio, um cenário apocalíptico para Israel que ficaria isolada no meio de todos os grupos muçulmanos unidos em um mesmo objetivo: destruir Israel



Como os americanos não pretendem deixar que esse cenário aconteça, tanto de domínio russo e chinês no Oriente Médio e especialmente de união dos grupos islâmicos contra Israel é que decidiram mover essa peça no xadrez geopolítico da região, ou seja, usar a morte do general iraniano como estopim para desequilíbrios na região que impeçam o avanço dos interesses chineses e sobretudo russos na região.

Por tudo isso as tensões no Oriente Médio estão longe de diminuírem, pois na atual composição do xadrez geopolítico interessa aos americanos que as tensões no Oriente Médio, sobretudo entre Irã e Arábia Saudita aumentem, em especial pelo fato de que os sauditas estarão mais temerosos de novos ataques iranianos sobre sua petrolífera e sobretudo na questão de um desenvolvimento de arma nuclear. Diante desse cenário o movimento mais óbvio que os sauditas devem realizar e voltar a financiar os ISIS que está se reagrupando nas montanhas e cavernas do Iraque e usar os terroristas como ponta de lança para atacar o governo xiita no Iraque e enfraquecer a ligação entre os xiitas do Irã e Iraque.

Ao mesmo tempo os americanos farão sanções contra os iranianos, russos e demais envolvidos no projeto do gasoduto Nord Stream ao mesmo tempo que devem pressionar a Turquia. Se as relações com os curdos não estiverem totalmente azedadas depois dos últimos anos eu não duvidaria se os americanos tentassem uma aproximação com os curdos, não apenas com a desculpa de combater o ISIS no Iraque, mas sobretudo para enfraquecer Erdogan e assim tentar melar todo o avanço de Putin com os gasodutos na região.

Particularmente vejo Trump aceitando esse movimento estratégico (certamente a pedido do Exército americano e serviços de Inteligência americanos) como uma prova de lealdade as forças de defesa americanas já desconfiadas do envolvimento do presidente americano com Putin desde sua eleição em 2016. Essa é a única explicação lógica, pois apesar do movimento tirar um pouco o foco do processo de impeachment ele é altamente arriscado para as aspirações de eleição de Trump: se por um lado ele se fortalece com o seu eleitorado mais conservador e patriótico por outro se enfraquece profundamente nos "estados pêndulo" (que tradicionalmente são aqueles que não votam sempre com os republicanos ou com os democratas) que normalmente tem altos índices de reprovação quanto a incursão americana em conflitos externos e teme profundamente o terrorismo em solo americano (e exatamente por conta desse eleitorado é que Trump buscou ao longo do seu mandato não entrar em nenhum grande confronto externo).

O regime dos aiatolás sabe disso e sabem que a maior derrota que podem impor a Trump é evitar sua reeleição então com certeza já está sendo articulado para as próximas semanas um atentado terrorista em solo americano através das células adormecidas que existem no país tendo por claro objetivo estimular a reprovação da população americana sobre o presidente.

Em experiência projetiva ocorrida durante a tarde de ontem vi que uma dessas células já foi contatada e o plano envolve prioritariamente uma das seguintes cidades; Chicago, Oklahoma, Nova York ou Los Angeles, prioritariamente uma de maioria democrata (pois motivaria maiores manifestações contrárias ao presidente) e de maioria iraniana (no caso Los Angeles onde a comunidade persa é grande) para motivar ainda mais o acirramento do governo americano e o mundo islâmico na América. O que vi na projeção foi uma mulher de cabelos escuros e três homens que compõe uma dessas células.

Como bem destacou uma leitora no post de ontem "uma rede social ligada ao Irã, postou um trecho da música de Jennifer Lopez chamada “Waiting for tonight” que significa: esperando pela noite/ pelo anoitecer. Ocorre que J.Lo e Shakira são as artistas que irão performar no show de enceramento do super bowl."

É sabido que os terroristas sempre atacam em locais com grande aglomeração de pessoas (estádios, entrada de estádios, boates, eventos na rua como maratonas e também metrô e demais locais de aglomeração) portanto é importante estar atento, sobretudo nos locais citados nesse parágrafo mas sobretudo nas cidades citadas, observando atitudes suspeitas como por exemplo mochilas muito volumosas ou pessoas com casaco muito fechado de rosto magro mas aparentando um corpo muito cheio na região do tórax (normalmente são coletes explosivos)

2020 reserva muito trabalho para os amigos espirituais, assim como os próximos 16 anos até o ápice da grande tribulação. Que possamos manter a serenidade diante desses conflitos que envolvem governos e organizações no início do grande confronto entre Ocidente e Oriente previsto nos textos proféticos do passado. Ao leitor interessado em conhecer todo o contexto profético do conflito apocalíptico entre Oriente e Ocidente no ápice da grande tribulação envolvendo Gog, Magog, o falso profeta tendo o Oriente Médio como palco central na década de 30 aconselho a leitura detalhada de todo o capítulo 23 do livro “A Bíblia no 3º Milênio” (lançada em 2013).

As previsões sobre o eclipse e o Oriente Médio:


As previsões para janeiro e fevereiro de 2020:


O que vai acontecer em 2036:


Nenhum comentário: