26 de mar. de 2026

GUERRA NO IRÃ - A ILHA DE KHARG, A DIREÇÃO DO CONFLITO E POR QUE ESTAMOS LONGE DE UMA GUERRA ATÔMICA

 

Com a profusão de teorias conspiratórias sem sentido que pululam na internet (fim do mundo no final do mês, apocalipse em 2027) eu me senti na obrigação de escrever esse texto, não apenas para que os leitores compreenderam quais as motivações ou objetivos de curto e longo prazo dos atores envolvidos no conflito, e especialmente apontar porque estamos distante de uma guerra de extermínio nuclear (apesar de todos os esforços das entidades trevosas que lutam para colocar em prática os protocolos do fim do mundo, tema principal do livro que lancei ao final de 2023).  

Para começarmos a entender toda essa questão é importante compreender que as duas grandes potências bélicas e financeiras (EUA e China, nesse caso não entrando a Rússia pelo fator financeiro) estão em uma guerra com objetivos diferentes dos outros atores com proeminência bélica e econômica: EUA e China travam uma guerra essencialmente econômica, o primeiro buscando manter a hegemonia do dólar no comércio mundial e ao mesmo tempo manter a hegemonia de influência no comércio mundial, sobretudo no comércio do petróleo, hegemonia que vem desde o final da Segunda Guerra Mundial e que constitui a Ordem Mundial vigente desde então. A China, por sua vez, busca expandir a sua área de influência no comércio mundial, especialmente através da Ásia e do Oriente Médio, firmando acordos importantes tanto com o Irã como a Arábia Saudita no comércio do petróleo e ao mesmo tempo ampliando ano após ano a estrutura da Nova Rota da Seda, tudo isso com um objetivo muito claro: destronar o dólar como a principal moeda do mundo e definitivamente ampliar a sua influência comercial e econômica e assim criar uma Nova Ordem Mundial, política e econômica, na qual China e seus aliados do Oriente teriam o controle as principais questões políticas, comerciais e econômicas do mundo, rompendo com a Ordem de poder (voltada para o Ocidente) que existe desde o final da Segunda Guerra. 

Tanto EUA (a potência bélica e econômica reinante) como a China (potência bélica em ascensão e já apresentando vantagens econômicas sobre os EUA, ainda que necessite destronar o dólar como a principal moeda do mundo) se preparam no curto, médio e longo prazo para um inevitável embate, pois os EUA desejam manter a sua posição de principal potência bélica e econômica do mundo que dita as "regras do jogo” de poder, enquanto a China deseja se tornar a nova potência dominante. 

Em todas as épocas da história que uma potência em ascensão ameaçava ou desejava tirar o reinado da potência dominante amplas guerras aconteciam (há um ótimo material em vídeo do Ray Dalio explicando esses confrontos históricos), porém é a primeira vez na história que isso está acontecendo com mais de uma nação possuindo bombas atômicas (na Segunda Guerra apenas os EUA possuía). Exatamente por conta dessa realidade, tanto os EUA como a China (e também a Rússia que apesar de não ser uma potência econômica é uma potência nuclear) se preparam no médio e longo prazo para o inevitável confronto nuclear, quando seja a potência dominante ou a potência em ascensão darão o passo decisivo na busca por manter ou chegar ao trono. 

Nessa preparação todas as movimentações atuais e futuras visam exatamente não apenas estar em uma posição mais favorável no dia "D" (do confronto nuclear) como também estar em uma posição mais favorável no dia seguinte ao dia "D" como eu expliquei no textão linkado a seguir:

https://profeciasoapiceem2036.blogspot.com/2026/01/xadrez-mundial-e-guerra-atomica-tecnato.html

Exatamente dentro dessa preparação está o fortalecimento de posições econômicas e geográficas estratégicas. Como foi explicado no texto linkado há pouco, a invasão na Venezuela permitiu não apenas afastar a influência chinesa e russa do quintal americano, como também permitiu aos EUA garantir em um cenário futuro um acesso mais fácil a uma zona de retaguarda rica em recursos (petróleo) em um cenário de dia seguinte ao confronto nuclear no hemisfério norte, quando nesse dia seguinte as potências travariam uma guerra "tradicional" para ocupar os territórios restantes do mundo no hemisfério sul. 

Nessa mesma lógica os EUA consideram Israel como o seu aliado essencial no Oriente Médio por vários motivos econômicos, mas o principal deles é ser um aliado com forte estrutura militar que a qualquer momento pode ajudar os EUA em uma guerra de interesses econômicos (petróleo) na região do Golfo. 

Basicamente o Irã é o principal foco de conflito na região por questões religiosas, tanto contra os judeus como também contra os sunitas (maioria do mundo islâmico), já que o Irã é prioritariamente formado por xiitas. Ocorre que a maioria dos povos sunitas da região são muito ricos em petróleo (especialmente Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes) e por conta do comércio de petróleo com os EUA e por serem de um grupo religioso rival do Irã (xiitas) naturalmente se tornam alvos constantes do Irã, que mesmo antes da guerra já realizou vários ataques contra refinarias desses países e atualmente proíbe a passagem dos navios cargueiros dos mesmos países. O detalhe é que o Irã apenas não impedia a passagem dos navios desses países pelo estreito de Ormuz exatamente porque esses países também exportam bilhões em petróleo para a China, aliada bélica e econômica do regime dos aiatolás. 

Na guerra comercial em curso no mundo, entre EUA e China, o Oriente Médio é, portanto, um ponto crucial. Para Israel e para os sheiks sunitas do petróleo interessa genuinamente enfraquecer o poderio militar dos iranianos, já para os EUA o interesse é outro: fortalecer a sua posição econômica na região do Oriente Médio e exatamente por isso os EUA sequer cogitam enviar tropas para tomar o Irã, até porque sabem que as lideranças radicalizadas da guarda revolucionária continuarão assumindo o poder, independente de quantos líderes forem mortos. 

O objetivo dos EUA é outro: controlar o estreito de Ormuz. Não apenas reabri-lo para o livre fluxo e livre comércio, mas ter o controle permanente da região do estreito de Ormuz, com bases navais e militares permanentes envolvendo militares não apenas americanos, mas da OTAN, de Israel e dos sheiks sunitas produtores de petróleo, tendo como retórica para o resto do mundo a proteção do comércio na região e de impedir ataques do Irã contra as nações do Golfo Pérsico. Esse é o discurso oficial, na prática o interesse é enfraquecer mais um importante aliado do eixo das ditaduras (Venezuela, depois o Irã, sobrando apenas Coréia do Norte, Rússia e China). 

O principal ponto ou estrutura do estreito de Ormuz, tanto de armazenamento de petróleo por onde passam os navios cargueiros como também de força militar é a ilha de Kharg e "curiosamente" nos últimos dias Trump fez um ataque cirúrgico contra a ilha: destruiu apenas a estrutura militar e preservou a estrutura operacional de armazenamento de petróleo (isso dias depois de bombardear o maior campo de gás do mundo, que fica exatamente no Irã). A estratégia para as próximas semanas não é apenas reabrir o estreito e também não é invadir o Irã ou "derrubar o regime", a ideia é cercar militarmente o estreito e controlá-lo com a retórica de que é "o melhor para a segurança do comércio de petróleo no Oriente Médio" e nesse cenário, na pior das hipóteses, o Irã vai continuar insistindo em ataques no Golfo Pérsico e outros alvos (inclusive na Europa) o que vai respaldar respostas cada vez mais duras até que o regime não tenha mais condições de se defender. 

Há ainda um fator interno: os EUA contam que no longo prazo devido à falência econômica do regime e de que a parcela jovem da população, cansada de anos de um regime fechado, somada às minorias (azeris, curdos e luros que somam quase 35% da população e foram cerceadas pelo regime dos aiatolás) impulsionem manifestações ainda maiores dentro da própria comunidade mais jovem de famílias xiitas (a maioria que vive no Irã), e impulsionem uma implosão de dentro pra fora no regime dos aiatolás, algo que não seria viável com uma invasão clássica sobre todo o território iraniano, o que naturalmente acenderia muito mais um sentimento de repulsa do povo contra os invasores. 

A Rússia mergulhada na guerra com a Ucrânia até acha bom que a Europa e os EUA tirem um pouco da atenção sobre eles, a China por sua vez deseja que o comércio de petróleo se normalize (pois é a principal beneficiária desse comércio) e ao mesmo tempo está mais preocupada com a questão de Taiwan, pois sabe que logo após a guerra no Irã esfriar (em algumas semanas), os EUA colocarão o foco no fortalecimento bélico de Taiwan, do Japão e da Coréia do Sul, pois para o controle do comércio mundial é fundamental para os americanos impedirem que o principal produtor dos chips (semicondutores) mais avançados do planeta seja invadido pela China (o que segundo a inteligência americana os chineses planejam realizar até 2027) 

Como expliquei no texto linkado alguns parágrafos atrás, não interessa para a China e para a Rússia iniciar uma guerra atômica enquanto não tiverem condições reais de vencer os EUA (como detalhado naquele texto) ao mesmo tempo que os EUA também não tem motivo para uma guerra atômica, especialmente nos últimos meses quando realizou com sucesso o objetivo de enfraquecer economicamente dois dos principais regimes aliados dos chineses: Venezuela e Irã. 

Além de tudo isso, Trump chegou a um ponto de não retorno: com a opinião pública americana frontalmente contrária à guerra (temendo um novo Afeganistão para as tropas americanas): ele não pode prolongar muito a guerra, mas também não pode simplesmente encerrar as "atividades" após todo o gasto financeiro e político sem alcançar os objetivos econômicos e militares, especialmente aqueles que favoreçam seus principais aliados na região (Arábia Saudita e Israel) que desejam a anulação do poderio iraniano que agora e daqui pra frente estará nas mãos de um grupo muito mais radical (o braço mais radicalizado da guarda revolucionária aliada ao filho de Kamenei, morto após décadas no poder). 

Tanto a vitória sobre o regime chavista da Venezuela como um novo êxito (para os EUA) caso consiga o objetivo de controlar o fluxo de petróleo em Ormuz somaria uma vitória importante na guerra comercial com a China: afastar a influência chinesa no comércio de petróleo tanto no “quintal” americano (América do Sul) como no Oriente Médio, limitando na prática os avanços da Rota da Seda cujo objetivo sempre foi o de criar uma rede mundial de comércio marítimo controlado pela China (o que na prática criaria uma nova ordem mundial no comércio). 

Então a única saída que satisfaça esses objetivos e ao mesmo tempo evite uma invasão sobre todo o Irã (um novo e desastroso projeto Afeganistão que falhou no passado) é tomar conta do estreito de Ormuz e estabelecer uma base permanente, circunscrita a uma região muito menor e que gradativamente vai asfixiar financeiramente o grupo político-religioso-xiita-persa da guarda revolucionária que está no poder. 

Como as demais operações desse tipo do Exército americano desde a invasão da Venezuela costumam começar no fim de semana (sábado ou domingo para evitar maiores sobressaltos na Bolsa americana) e nos últimos dias foram enviados para a região mais três navios de assalto anfíbios (padrões para levar equipamento para uma invasão terrestre) eu acredito que os ataques aéreos serão intensificados tanto na ilha de Kharg (para destruir a estrutura militar que o Irã reconstruiu nos últimos dias) como na região próxima que dá sustentação à principal resistência da ilha e dessa forma, no começo de abril, é que deve se iniciar uma invasão terrestre, tanto na ilha como na região costeira próxima, circunscrita a essa região e com a "desculpa" de garantir um caminho seguro para o comércio mundial pelo estreito de Ormuz e contenção contra ataques do Irã aos países produtores de petróleo do Golfo. Inclusive nas previsões publicadas no início de março foi apontado que o ápice desse conflito aconteceria realmente em abril, especialmente entre os dias 10 e 20 de abril, quando Marte entrará no signo de Áries e se somará a Sol, Saturno e Netuno, configuração que normalmente demarca evento muito significativo (e destrutivo) a nível global: 

“Sempre que 4 astros ficam concentrados em um único signo, especialmente sendo um desses astros o regente do signo, e dentre os demais nessa concentração há pelo menos dois astros de órbita muito longa (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno ou Plutão), então normalmente temos a eclosão de profundos acontecimentos relacionados ao arquétipo do signo que recebe esse stelium (conjunção múltipla). A última vez que isso aconteceu foi entre meados de fevereiro e meados de março de 2020, quando Saturno (regente de Capricórnio), Plutão, Júpiter (astros de órbita muito longa) e Marte ficaram juntos no signo de Capricórnio, signo que rege os temas da casa 10 (vida profissional, financeira) e os temas relacionados à Saturno (barreiras, limitações, obstáculos), o que representou a eclosão de uma crise financeira global envolvendo limitação na circulação das pessoas e do comércio mundial.” (Previsões para março, publicadas no dia 06 de março) 

A política de Trump é clara: enfraquecer economicamente e geopoliticamente o seu principal adversário, a China. Exatamente por isso os ataques contra Venezuela e depois o Irã. Acredito que antes de 2027 o próximo grande alvo será Taiwan, provavelmente após “resolver” a questão de Cuba e buscar um acordo com a OTAN e Dinamarca na questão da Groenlândia (questão também explicada de forma mais ampla no texto linkado há alguns parágrafos).   

Por tudo isso eu acredito que, infelizmente, Trump usará nas próximas semanas uma ou duas bombas nucleares táticas sobre o Irã (de intensidade 5 vezes menor que a de Hiroshima), não porque julgue necessário diante do poderia iraniano, mas porque sabe que na questão de Taiwan enfrentará um “testa de ferro” da China (Coréia do Norte) que deseja mostrar poder atômico e nesse cenário a forma de entrar em uma guerra seria mostrando que está disposto a usar armas nucleares para, dessa forma, dissuadir uma reação atômica do líder norte coreano. 

O ano ainda terá muitas guerras e rumores de guerras, mas acredito que não entraremos em um conflito de extermínio nuclear nos próximos dez anos. De toda forma a previsão feita lá em junho de 2025 quando todas essas invasões marítimas eram impensáveis permanece: Trump vai buscar, através do mar, guerra com as nações do mundo: 

"Poucos dias depois daquela experiência projetiva (primeiros dias de 2025) eu tive acesso, também através de uma experiência projetiva, à um arquivo holográfico com cenas mostrando de forma simbólica como seria o governo de Trump, com imagens que mais facilmente pudessem ser arquivadas no meu cérebro perispiritual: um homem, com o corpo e a fisionomia de Trump, mas com uma cabeleira volumosa com fios de ouro (certamente eu não me esqueceria daquela imagem grotesca e ao mesmo tempo engraçada) em uma pequena lancha e atrás daquela lancha vários navios, aviões e porta aviões americanos que a seguiam. Enquanto aquelas cenas eram exibidas no arquivo, uma voz explicava pra mim: “o governo dele buscará a guerra e confronto com as nações”. (texto publicado em 18 de junho de 2025) 

O texto completo dessa previsão pode ser acessado aqui:

https://profeciasoapiceem2036.blogspot.com/2025/06/protocolos-do-fim-do-mundo-caminho-da.html


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